Iemanjá, a deusa do mar
Talvez a orixá mais popular na Umbanda, Iemanjá carrega uma multidão de devotos, sejam eles da Umbanda, Batuque, Candomblé, entre outras religiões afro-brasileiras, mas também aquela parcela, significativa, de "católicos" não praticantes.
É comum vermos, principalmente, na virada para o ano novo, pessoas vestidas de branco, pulando 7 ondas, entregando rosas brancas e champanhe no mar. Devotos da Rainha do Mar que se quer pisaram uma vez em um terreiro, tamanha a popularidade da orixá.
Interessante percebermos que a fé do brasileiro é ?eclética?. Reza-se para o santo e para o orixá no mesmo ambiente. A noite vai-se na macumba e no domingo pela manhã na missa. Isso é coisa de brasileiro!
Se nos voltamos para o Culto Tradicional Yorubá, na Nigéria, que neste ano completará 10.066 anos, "Yeye Omo Eja" (Yemoja/Iemanjá) é uma deusa da água doce, e seu nome quer dizer: ?a mãe dos filhos peixes? ou ?a mãe ao qual os filhos são peixes? e Olokun, é o orixá da água salgada, o mar.
Quando os negros escravizados foram trazidos para o Brasil, tiveram que adaptar sua religiosidade ancestral. Não vieram sacerdotes de Olokun para cá, e o culto da mãe dos filhos peixes, Iemanjá, se adaptou as condições e necessidades dos devotos, que sabendo que no mar também existem peixes, começaram oferendar a orixá na praia a fim de terem boa pescaria e bênçãos. Isso começa na cidade de Salvador na Bahia e se espalha pelo resto do país.
Muito já se fala sobre consciência ecológica, e quando olhamos para os cultos a Iemanjá na beira da praia, é inevitável não prestarmos atenção em toda a sujeira que ainda é deixada, tanto na areia quanto na água, pelos seus devotos, isso é algo que urgentemente precisa ser mudado, pois a 50 anos atrás, não se falava em ecologia como agora, e com absoluta certeza, nenhum orixá, tão pouco Iemanjá, senhora da vida, vai querer os seus domínios poluídos, pois se não houver água limpa, areia limpa, não há lá a presença da orixá.
Falando em vida, ressalto aqui minha visão, enquanto Sacerdote de Umbanda, para com os mistérios de mãe Iemanjá.
A doutrina teológica de nosso templo é baseada na obra de Rubens Saraceni, que foi um divisor de águas na Umbanda.
Segundo as informações psicografadas por ele, Iemanjá é a regente da 7ª Linha de Umbanda, a linha da geração e da vida. Iemanjá seria a regente do mistério das 7 Águas Sagradas, e onde existe água em nosso planeta, existe vida. Nós mesmos ficamos nove meses dentro d'água na barriga da nossa mãe, não é verdade? Um ser humano pode ficar muitos dias sem comida, mas poucos dias sem água. A água gera vida, a água é vida!
Fecho esse texto ensinando uma forma simples de oferendar Iemanjá a beira mar:
- saudar os guardiões da praia pedindo licença para adentrar nos domínios de Iemanjá;
- leve 7 rosas brancas até a beira do mar;
- saudar mãe Iemanjá, pedindo licença para adentrar em sues domínios;
- deixe que 7 ondas batam em suas pernas e, a cada onda, despetale uma rosa fazendo seus pedidos;
- fique o tempo que precisar após a última rosa, rezando para Iemanjá;
- por fim, agradeça a oportunidade, vire-se e retorne para a areia seca, saudando novamente os guardiões da praia.
Obs.: não jogue o talo das rosas, apenas as pétalas.
Saravá Iemanjá!
Marcus Siqueira
Sacerdote de Umbanda